domingo, novembro 09, 2008

PRAGA, República Tcheca - A beleza do Mistério

População: 1.224.000

Terra de Franz Kafka, o que dizer? Tudo muito complicado de explicar em simples palavras. Quero dizer, um punhado de palavras resumem muito bem a capital da República Tcheca como por exemplo "muito bonita", "linda", "Paris do leste europeu".
Mas simplificado demais fica sem graça demais.
Preferi ver Praga como a terra dos mistérios.

O mistério das cores das torres e estátuas. Uma coloração que carrega o tempo e reflete toda uma beleza e não desgaste ou depreciação. A beleza que somente o tempo confere.
Mistério de construções magníficas do período em que o Brasil estava sendo descoberto e nos faz parar para pensar aonde toda aquela grandesa que foi capaz de construir o que lá existe foi.





O mistério da comida, o goulash um tanto que aquém do que pode ser chamado de uma comida gostosa. Não chega a ser ruim, mas talvez essa seja a razão de Praga sediar tantas redes de fast food e principalmente lojas do Mc Donald's por todos os lados.



O mistério das obras humanas diferentes, não meramente arte. Da parede que parece uma página de um livro ou um papel colado, aos pequenos tijolos com mensagens deixados por aqueles que ali estiveram, passando pelo "prédio dançante" (Dancing House - Tancící dum).







O mistério da ponte Charle, com suas estátuas milagrosas, inúmeros artistas de rua e um inexplicável estado de paz e calma. Realmente uma ponte única.







O mistério dos transportes. Como é possível que uma cidade do porte de Praga tenha uma infra-estrutura de transporte coletivo tão boa? Tudo bem que para os países europeus transporte sempre foi muito importante e diferente do Brasil não se resume a ruas para carros. Contudo o que explica uma cidade de um país dito subdesenvolvido ter uma excelente rede de bonde (tram) e metrô? Equiparável aos sistemas alemão e austríaco e mais desenvolvido do que o de Roma. Um aeroporto gigante e moderno que em nada lembra o estereótipo de país do leste europeu, pobre e atrasado.




O mistério do castelo de Praga. Complexo extraordinário, sensacional. Difícil não ficar impressionado por tamanha grandeza, nível de detalhes, variedades.





O mistério da vida no parque. Como a vida deveria ser, como as coisas deveriam ser... no Brasil. Perdemos tanto tempo no trânsito, com besteiras. Vamos levando as coisas como se assim devessem ser. Estresse, atraso, falta de tempo... será que é assim mesmo que as coisas são?



O misterio....

O mistério da avenida Václavské nám. Uma enorme avenida, em uma ponta o centro velho e todo o seu percurso no centro novo. Quanta vida! Uma avenida, tantos carros, jardins, pessoas cantando, dormindo, estudando, conversando, namorando. Grupos e mais grupos escolares fazendo passeio e aula ao ar livre, desenvolvendo cidadania, censo coletivo e cultura. 






O mistério das pessoas e bichos. Os acontecimentos inesperados. Do mendigo ajoelhado pedindo esmola em seu silêncio e tristeza. Da cena inusitada e inocente de um grupo de crianças tomando um sorvete na beira de uma das mais movimentadas avenidas da capital do país.
Encontros improváveis.






O mistério da hipnotizante vista da cidade. Sem comentários!!! Dali de cima do castelo de Praga, apoiado ao parapeito as palavras fugiam... fugiam não, admiravam aquela vista ao invés de serem usadas. Uma cidade com todo esse poder, de fazer ao mesmo tempo um cético parar de duvidar e revelar ao andarilho perdido caminhos claros. Eis alguns mistérios, eis Praga, o mais belo dos mistérios.




MUSICA DE PRAGA


segunda-feira, outubro 20, 2008

BRATISLAVA, Eslováquia - LIKE NO OTHER

População: 427.000

Menos de 1 hora de trem separam Viena de Bratislava, mas quanta diferença.
Não se trata de viajar de trem, mas de uma viagem espacial e temporal. É como entrar em um túnel que lhe transporta para uma outra dimensão. É colocar a prova todos os sentidos.
Ainda que Viena tenha recebido alguma influência soviética é muito sutil seus resquícios. O oposto pode ser dito de Bratislava aonde impera o estilo soviético e a influência ocidental-capitalista ainda é saliente.







Confesso que inúmeras são as vezes que provo ter um gosto excêntrico e gostar de particularidades que poucas pessoas compartilham, mas para apreciar Bratislava é preciso ter paciência, é preciso dar tempo ao tempo, deixar os seus sentidos se acostumarem com novos padrões. A capital da Eslováquia vai aos poucos aguçando suas características e seus sentidos captando. Uma beleza que requer tempo para perceber que ela está ali.




Bratislava realmente não é destino de um turismo típico e tradicional. Não que seja uma cidade feia sem nenhum atrativo, mas é preciso convocar traduções. Interpretações que assim como a senha do banco são particulares, pessoais e intransferíveis.

A Bratislava particular das estátuas de metal espalhadas pelo centro da cidade. Da praia artificial montada na beira do rio. Do velho medieval contrastando com os guindastes que erguem o novo.




A Bratislava pessoal que reúne a vida (nas cores do grafite) e a morte (em velhos prédios abandonados). A arte em uma improvável galeria ao céu aberto em uma das várias vielas medievais. As pessoas dormindo nos gramados a beira rio como se o mundo fosse o que deveria ser, calmo e leve.





A Bratislava intransferível das desertas ruas centrais em plena tarde de sábado. A vista da cidade com seu castelo debruçado na velha ponte da cidade.





As melhores cidades são aquelas cujo desconhecido nos encaram. Nos obrigam a fazer uma leitura e uma interpretação inteiramente particular, própria. Ninguém falou que era desse jeito ou se parecia com aquilo. O total desconhecido. Como pegar um livro e começar apreciando sua capa para formular as primeiras impressões e então aos poucos ler e explorar o seu interior, a sua essência. Um todo esperando para ser desbravado.


Após visitar países tão ricos e desenvolvidos como Alemanha, Finlândia e Áustria o que sentir ao ver um amontoado de lixo na calçada? Moradores de rua?
Confesso que o Brasil foi a primeira coisa que me veio na cabeça. Incrível que tão longe do Brasil e tão perto ao mesmo tempo. No fim não somos tão diferentes assim. Nada como o contraste para nos ensinar. Tão próximos e tão diferentes. A Europa como nunca havia imaginado, uma Europa cheia de contrastes e diversificada.




A foto abaixo ilustra bem a minha Bratislava.
Onde a vida é simples, sem luxos, sem riquezas, mas ainda assim vivida em uma maneira bela e toda única.





BRATISLAVA MUSIC

domingo, outubro 19, 2008

WIEN, ÖSTERREICH - Será que Freud explica?

População: 1.700.000

Viena é uma cidade muito especial, uma cidade adorável. Das cidades européias visitadas foi a que eu mais me apeguei.


É uma cidade bonita, mas não é belíssima.

Apesar do bacana parque de diversão com sua roda gigante (Riesenrad), um centro cheio de história e construções antigas com uma bela arquitetura. O Palácio Schönbrunn e seus enormes e coloridos jardins. A cidade que já foi chamada de “maçã de ouro” pelos otomanos.



É uma cidade grande, mas não é uma metrópole.

Com uma população de 1,6 milhão de habitantes, excelente rede de transporte público comparável com qualquer grande cidade do mundo, inúmeras opções de entretenimento e cultura de destaque internacional. Tudo isso sem problemas de filas, tumultos, confusão ou resumindo em duas palavras, sem muvuca. Estresse é realmente uma opção difícil de entender, porque a cidade só propicia o oposto.


É uma cidade calma, mas não é uma cidade morta.

Muitos parques, museus, bares, opções de espaços públicos e privados que buscam entreter e relaxar as pessoas, mas não são em nada pacatos e sim agradáveis, cheios de energia, músicas e bebidas.

É uma cidade viva, mas não é uma cidade caótica.

Com muitas opções de bares, restaurantes, lojas de compras. De certo modo é uma cidade que consegue atender as demandas de todos os tipos e gostos. São tantas opções e escolhas que é difícil não se deixar envolver pela riqueza não material da cidade. Apesar da calma a cidade transpira vida, com ordem.


É uma cidade rica, mas não é esnobe.

Lixo e sujeira na rua são muito raros, o sistema de transporte é de qualidade através de trens, bondes e metrô. Toda a estrutura de uma sociedade desenvolvida e rica estão ali, hospitais, escolas, universidade. A renda é visivelmente elevada. A história não nega o passado imperial de Viena. Mas nem por isso aqueles que ali habitam são arrogantes ou desrespeitosos.






É uma cidade artística, mas não é nenhum umbigo universal das artes.

Com o espetacular complexo Quartier que democratiza a arte. A arte interativa, diferente e muito próxima de todos. A arte em suas inúmeras formas de expressão. A arte que vai desde a criança até os velhos. "Arte para todos", eis o lema do Quartier, e sem dúvidas foi uma verdadeira aula para mim, aprendi tanto sem ouvir uma única palavra, basta aguçar todos os sentidos. Para a audição um DJ no meio da praça fazendo sua performance de música rock-eletrônica. Para a visão várias construções de arquitetura variada, além das cores e formas. Para o paladar opções de restaurantes com cardápios variados. Para o tato o contraste das linhas e curvas. E para o olfato? O aroma de arte presente no ar!

É uma cidade antiga, mas não é medieval.

Com inúmeras construções que datam do período em que o Brasil ainda não era descoberto, nem é preciso ir até um museu para perceber que é uma cidade antiga. Porém é igualmente evidente que ela soube se reciclar e se transformar ao longo do tempo realizando atualizações e acompanhando as mudanças do tempo. Uma influência passada germânica, outra soviética, também tem uma pitada de cultura americana.


É uma cidade moderna, mas não é futurista.

Com prédios novos de aço e vidro que de noite acendem luzes formando figuras em movimentos. Com piscina artificial montada dentro do rio Danúbio, churrasquinho na "praia" ao lado e na outra margem música ao vivo.


Deixar Viena para trás foi uma das decisões mais difíceis que tive de tomar. Tamanha apegação não encontrei explicação racional ou irracional. Será que o austríaco Freud, que estudou na Universidade de Viena, explica?


Juntamente Suíça e Áustria sediaram a última edição da Euro Copa, a maior da história atraindo inúmeros turistas e torcedores, além de alegria.


Certamente é um evento mais próximo que pude presenciar de uma Copa do Mundo. Aliás para muitos fanáticos por futebol é um evento muito mais interessante do que a Copa do Mundo porque o nível das equipes participantes é mais elevada. Pude presenciar em Viena um show de organização para um evento dessa magnitude. Muitos banheiros, comida e bebida caras, mas não abusivas. Pude presenciar a rivalidade entre poloneses e alemães, expondo feridas passadas que não cicatrizaram. Também vi o futebol unindo torcidas de nações tão diferentes.





Será que o Brasil tem condições de sediar uma Copa do Mundo? Acho que sediar sim, mas oferecer entretenimento com qualidade e retorno para o investimento necessário NÃO!!!

Quando alguém falar que o Brasil deveria ser sede de Copas ou mesmo uma Olimpíada acho que deveriam antes olhar pra taxa de analfabetismo e tomar vergonha na cara. Obviamente Suíça e Áustria possuem problemas e ainda assim realizaram em conjunto a melhor Euro Copa da história, mas nem se comparam com os problemas que temos por aqui.