Todo mundo pede paz.
Quando acontece uma tragédia como essa então....
Vários movimentos se sustentam nesse espírito de
um significado um tanto quanto confuso.
Já existiu um planeta terra totalmente em PAZ ????
Acho que só enquanto os homens não o habitavam.
Vivemos em conflitos desde a origem.
Me lembro de quando assisti a "Guerra do Fogo", um
filme que simula a descoberta do FOGO pelos macacos.
Ali já se vê que tribos começaram a escravizar outras tribos e que quem tinha o poder
normalmente o utilizava de maneira egoísta.
As guerras naquela época eram por motivos semelhantes aos atuais:
- Territórios
- Fêmeas
- Domínio de outros povos
Dentre outros milhares de motivos idiotas que só me fazem
crer que a PAZ foi uma palavra inventada por algum homem
que conseguiu viver em algum ponto do planeta onde não existia a raça HUMANA.
Mas isso é especulação da minha parte, creio eu.
Estudando história vc percebe que desde que o mundo
é mundo existem essas picuinhas entre os semelhantes.
Me parece que conforme vamos "evoluindo" mais imbecis ficamos.
Ai alguém inventa que um DEUS é melhor que o outro.
Ai inventam o Dinheiro.Inventam novas armas e novas tecnologias.
Inventam de tudo pra sempre se ter um bom motivo para guerrear.
Parece insano, mas alguém deve se divertir com isso.
Que as diferenças sempre incomodaram isso é nítido.
Que a humanidade é Má ninguém duvida.
O que fazemos é lutar contra o mal que esta dentro de nós.
Muitos filósofos já discutiram e discutem sobre este assunto até hoje,
mas diante de tantas evidencias em quem vamos acreditar não é mesmo?
Religiões em crise.
A ciência faz uma descoberta e logo alguém descobre uma
maneira cruel de utiliza-la para o mal.
O maniqueísmo parece ser o grande barato das sociedades.
Ai inventam o capitalismo e o comunismo.
Ai brigam para qual sistema é o melhor para o mundo todo.
Será que existe algum sistema que é bom para todos ao mesmo tempo ??????
Se existe ainda não divulgaram.
Bom....
Por si só o homem tem o espírito aventureiro e isso fez com
que hordas inteiras se deslocassem pelo planeta atrás de
terras e riquezas.
Ai invadem povoados e destroem as culturas nativas.
Ai escravizam e utilizam a mão de obra humana para
garantir mais e mais lucros.
Muita gente diz que o dinheiro é um elemento de discórdia.
Concordo em parte , mas nisso incluo a ganância, como sentimento
chave. E isso amigos é nosso.... vem de dentro.
Inveja.
Prepotência.
Egoísmo.
Tenho a impressão que alguém nos colocou para estragar
esse planeta e não foi DEUS!!!!
A Terra é linda vista de longe.
Existem várias teorias, mas ninguém conseguiu ainda comprovar cientificamente como o homem
surgiu por aqui.
As teorias religiosas, nem vou comentar.
Cada um acredita no que quiser, certo ?
Mas é estranho!!!!!!!!!!
Muito estranho por sinal.
Mas voltando a PAZ.
Voltando ao ano de 2006 .
Voltando ao Brasil.
Voltando ao Rio de janeiro.......
Voltando a nossa realidade....
Como podemos pedir paz se tem gente que NEM SABE
E NEM NUNCA VIVEU EM PAZ???????
Me parece esdrúxulo pedir a uma pessoa um comportamento que ela não conhece.
É como solicitar ao computador um arquivo que não existe dentro dele, que ninguém nunca
inseriu.
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!
Comecei a entender.
A paz esta no dicionário....
A paz esta em um monte de camisas e outdoors.
Mas o que é realmente a paz??????
Explique a paz para um moleque que nasce num lugar
e desde criança apanha dos pais, não tem uma casa
pra morar, não tem família, não tem comida, não tem
dinheiro, não estuda. Cresce junto com outros na mesma
situação e depois começa a tomar noção que existem
muitas coisas as quais ele não tem direito e outras pessoas tem.
Explique a paz para ele.....
Como é que vc vai explica-lo a resepito da PAZ que vc esta pedindo?
Talvez vc esteja lendo esse texto num computador comunitário ou mesmo no seu, no conforto do
seu lar
ou em algum lugar qualquer que vc possa ter tranquilidade para pensar a respeito.
Vc sabe ler......
Vc estudou suponho....
Então explica ai ....
O que é essa tal paz?????????????????
Fico imaginando o quanto as pessoas fantasiam a respeito disso e confesso que também já o fiz ...
a palavra PAZ
é bonita, é bacana de ser dita, talvez por que eu tenha o privilégio de usufruir de alguns momentos desse estado de espírito, mas e as pessoas que
NUNCA NA VIDA TIVERAM A OPORTUNIDADE DE TER ESSA TAL PAZ por nenhum segundo
sequer.....?
Minto.
Talvez a paz para um moleque de rua esteja no momento em que ele joga um futebol com os amigos,
será por isso que o principal sonho dessas crianças é ser jogador de FUTEBOL?????
Talvez eles vislumbrem o que já viram na TV e associem
essa vida de "PAZ" a poder fazer o que gostam e ganhar uma condição melhor de vida.
Talvez a Paz para eles seja sair o barraco de pau e ir para um quarto e sala de concreto.
Para a uma menina que vive nestas condições também, a paz deve aparecer como uma fada enquanto ela brinca de boneca.
Estranho pensar nisso dessa forma.
Me parece EGOÍSMO pedir paz a quem nunca viveu sequer um momento de PAZ.
Verborragia ?????
Hipocrisia??????
O que me faz ter essa sensação horrível de que nunca teremos a tal PAZ ,
enquanto não oferecermos condições para que as pessoas descubram esse sentimento ???
Ai os políticos vem com esses discursos idiotas,
enquanto as pessoas mais pobres continuam isoladas
das condições básicas de sobrevivência.
Ai inventam uma porrada de outras prioridades para
não arriscarem sequer uma única ação que modifique algo
de fato para que as crianças tenham possibilidades de
algum dia descobrirem a paz.
Por outro lado.....
Alguns vão ficando mais ricos, vendendo ARMAS, vendendo
Drogas, desviando dinheiro público, envolvidos com contravenção,
criando o universo ideal para justificarem a ausência de suas responsabilidades.
O povo vai ficando mais ignorante, mais revoltado enquanto
eles ficam mais RICOS.
Depois vem pedir PAZ??????????????????
No dia que a favela tomar consciência do poder que tem
e se politizar a revolução começa!!!!
Vou apostar minhas fichas nesse futuro.
Uma revolução de verdade que coloque na cadeia todos estes que contribuem para a proliferação
da covardia.
A PAZ é uma ilusão.
Me revolto também com a violência.
Ainda mais quando vejo estes playboys, filhos de pais
ricos ou de classe média brigando ou assaltando, fazendo
merda e colaborando ainda mais para esse caos que estamos vivendo.
Estes deveriam ser colocados para passar uma semaninha só na pele dos que não tem nem um osso pra comer.
Os verdadeiros traficantes não estão na favela.
Estão na política, na justiça, de terno e gravata
em todos os lugares em que a influência deles possa
manter esta teta que gera lucros estratosféricos.
É muito sinistro.
Eles estão infiltrados na sociedade, travestidos de bons moços, bons pais, bons maridos.
Vivendo em mansões cercadas de segurança enquanto
os soldados se matam por mixaria.
Muitos desses soldados percebem que o caminho
do tráfico é muito lucrativo, mas se soubessem de verdade
o quanto seus patrões ocultos ganham, nem pensariam duas vezes em trocar seus chinelos e
fuzis por uma sala em Brasília com ar condicionado e milhares de dólares em contas
estrangeiras.
Vc tá fumando um baseadinho ai e tá tranquilão...
Eles vão te acusar de colaborar com o tráfico e com
a violência....
Vão usar de um monte de argumentos.
Mas a droga mata muito menos que a guerra que é
gerada por essas mesmas pessoas.
A PROIBIÇÃO GERA LUCROS MUITO ALTOS E NÃO INTERESSA A ELES E AO SISTEMA
QUE ELES CRIARAM QUE ALGUÉM OUSE MUDAR ISSO.
Se estivessem preocupados com a sua SAÚDE MESMO, como dizem por ai, proibiriam o
CIGARRO E O ÁLCOOL.
Ou estas drogas não fazem mal ?????????
Ou então converteriam o dinheiro de nossos impostos para os médicos, hospitais e campanhas
preventivas.
A questão das drogas é uma questão de Saúde Pública, não das Forças Armadas simplesmente.
E a paz????????????????
Pergunte aos fabricantes de armas.
Pergunte aos EUA , França , China , aos maiores fabricantes de armas do mundo se interessa a
PAZ.
Pergunte a eles se eles trocariam seus zilhões de dólares por essa tal de PAZ !!!!!!!!
Desde o primeiro parafuso que é feito para fabricar um fuzil até o corpo que vai levar um tiro e cair morto no chão ,
existem milhões de interesses obscuros que nunca serão modificados.
A PAZ É UMA ILUSÃO!!!!!!!!!!!
Ou não....
A paz não gera lucros.
A paz não é interessante pra quem tem poder.
Lembra da GUERRA do FOGO lá no começo entre os macacos ????
De lá pra cá só pioramos as coisas!!!!!
Explique-se então.
Como vc pode cobrar paz nesse mundo hipócrita???
Acorda.
A "Matrix" esta trabalhando por todos os lados pra que vc seja mais um alienado!
Pense.
Reflita.
Se vc sabe ou já viveu essa tal de paz, não colabore com a violência ok???
Se vc é um privilegiado, não tumultue mais.
Procure dar valor a estes momentos raros, porque tem
muita gente que NUNCA VAI SABER DE FATO O QUE SIGNIFICA ESTAR EM PAZ.
Faça alguma coisa por alguém.
As suas responsabilidades são do tamanho dos
seus privilégios.
Se conseguirmos mudar uma pessoa só, poderemos contar
com a sorte desse um gerar uma família feliz, que possa
ajudar a gerar outros indivíduos felizes e quem sabe algum dia não possa nascer alguém para vir
nos salvar ?????
Enquanto isso, em algum lugar no congresso nacional...
Em alguma camara de vereadores, em algum quarto de hotel,
algumas outras vidas estarão sendo negociadas,
algumas malas de dinheiros estarão leiloando nossas almas !!!!!!!
O que me parece é que estamos focando no alvo errado.
Estamos sendo jogados uns contra os outros.
Enquanto enterramos nossos familiares, nossos irmãos, nossos amigos
os verdadeiros responsáveis desviam o foco da nossa atenção.
Não é favela contra asfalto.
Não é Rico contra pobre.
Não é trabalhador contra patrão.
Não é nada disso.
Somos todos nós contra os corruptos que estão nos manipulando nessa guerra suja e lucrativa.
Somos todos nós, favelados, Classe média, Ricos, trabalhadores, estudantes, cada um com sua individualidade...
Todos nós contra a impunidade que impera na POLÍTICA.
Eles estão protegidos .... nós não !!!!!!!
Não estou propondo nada além de um debate sério, honesto, verdadeiro
sem medo dos assuntos que serão abordados, sem hipocrisia.
Esta nossa postura esta levando vidas inocentes.
Nosso voto inconsciente leva em sua cédula o nome de mais alguma vítima que aumentará as estatísticas da violência.
Vcs esqueceram dos MILHÕES QUE ESTÃO SENDO ROUBADOS ???
Dos impostos que pagamos e que são direcionados para contas pessoais destes que nos governam ????
Onde estamos com a cabeça ??????????
Se tudo esta acontecendo como estamos vivendo
todos somos culpados tbm !!!!!!!
Enquanto a impunidade imperar entre os poderosos
NUNCA TEREMOS PAZ !!!!!!
Sem justiça , igualdade, saúde, educação e respeito por quem trabalha honestamente
Nunca poderemos cobrar PAZ !!!!!!!
Tico Sta Cruz
Ps: Por conta de alguns comentários IDIOTAS que andei lendo, quero relata-los que este texto
disponível neste momento foi retirado do CLUBE DA INSÔNIA, um blog que alimento com
pensamentos e reflexões há dois anos e este mesmo texto foi escrito em 2005( procurem nos arquivos lá presentes www.clubedainsonia.blogspot.com) , muito antes deste acontecimento.
Ao contrário de alguns oportunistas que se alimentam da desgraça alheia para expor opiniões preconceituosas, tendenciosas e insensíveis, o Detonautas sempre foi uma banda preocupada em propagar mensagens positivas, reflexões coletivas, sempre exaltamos o amor e a preocupação com a cidadania.
Sei que não devo explicações a ninguém a respeito do que fazemos, está registrado na nossa história e na de quem nos acompanha há muito tempo.
A diferença é que agora, por conta da nossa dor, Alguns que NUNCA SE DERAM O TRABALHO de prestar atenção em nossas palavras, aparecem para julgar nossas atitudes .
Acordem, isso não é uma competição para ver quem sofre mais ou quem tem mais razão, temos que nos unir, independente de COR, RAÇA, CREDO, CLASSE SOCIAL, para encontrarmos uma solução. Sempre fizemos isso, mas por que será que só agora alguns de vcs se deram conta ???
Reflitam !!!!
Tico Sta Cruz
domingo, junho 11, 2006
domingo, maio 21, 2006
ACORDA BRASIL E BANQUETE DA VIDA
No final de semana passada me dediquei às peças de teatro que a cidade de São Paulo oferece em tanto volume e variedade e que raramente tenho oportunidade de ir presenciar alguma. Em uma noite fui assistir à peça Acorda Brasil que está sendo apresentada no teatro Shopping Frei Caneca. Na noite seguinte fui à peça teatral que conta com a participação de um grande amigo, Banquete da Vida, em apresentação no teatro Dias Gomes.
Coincidência ou não ambas as peças tinham muitas coisas em comum e acredito que talvez seja um retrato das mudanças pela qual passa a sociedade brasileira. Não pretendo contar maiores detalhes das peças teatrais para não estragar a surpresa daqueles que pretendem ir assistir, mas como é impossível ser imparcial e não fazer citações então recomendo ao leitor que vá assistir à(s) peça(s) e então volte a ler este texto para não estragar nenhum clímax. O que escrevo abaixo são detalhes que podem comprometer a satisfação com as peças.
A peça Acorda Brasil tem autoria de Antônio Ermírio de Moraes, terceiro texto do empresário, onde o tema é a educação. Vou utilizar a descrição que consta no guia do jornal:
“Um jovem violinista aspirante dá aulas em uma escola pobre da cidade e enfrenta a resistência de uma diretora desiludida, além da desconfiança de alguns alunos. A montagem conta com 18 adolescentes da comunidade de Heliópolis, bem como 65 músicos da Sinfônica Heliópolis”.
O elenco conta com um grande número de atores globais com muita experiência e talento, destaque que não passa em branco é a atuação de Arlete Salles. Não vou com freqüência ao teatro, acredito que menos de 4 vezes ao ano, mas esse foi sem dúvidas o que mais me emocionou, divertiu e me fez repensar na vida. Realidade e ficção se misturam no palco. A realidade brasileira retratada sem hipocrisia ou
(O que contarei neste parágrafo fará mais sentido para aqueles que assistiram à peça) Lá estava eu, único jovem com a mochila na costa e o velho moleton batido enquanto que a maioria do público é composta de casais de meia idade de situação financeira confortável e clube de velhinhas endinheiradas. Para ser sincero não me sentia muito à vontade, acredito que era o mais jovem naquele público, me sentia quase que no asilo dos meus avós, acreditando que o tema era educação esperava que pessoas de todas as idades fossem se interessar. Quando a peça tem inicio todos esses detalhes ficam de lado, todos riem e todos se emocionam juntos, independente de idade, classe, vestimentas ou sexo. Conto isso, pois a peça gira em torno da música e nela não importa quem toca, mas sim o talento do músico. Quando as pessoas estão em uma sinfônica ou uma banda tocar música é o que importa e não outras características. Atualmente muitos músicos da USP (jovens privilegiados no mínimo da classe média) disputam por uma vaga no Instituto Baccarelli localizado na favela de Heliópolis, acredito que isso mostra que podemos superar a barreira social que temos atualmente na sociedade. Finalizada a peça pego o elevador “coração de mãe”, sempre cabe mais um, espremido entre as velhas impressionadas como eu com a peça entram nos últimos espaços que sobram no elevador dois músicos de Heliópolis. Muitos elogios e admiração. Aquela situação me marcou profundamente, em qualquer outra situação velhas endinheiradas em um elevador com dois garotos negros e pobres seria caracterizado como seqüestro ou assalto, além daqueles olhares de desdém e rejeição que deixando a hipocrisia de lado todos sabemos que acontece. Quem diria que veria nesta vida as velhas de Higienópolis e Jardins rasgando elogios aos favelados.
Resumidamente Acorda Brasil é uma verdadeira injeção de fé, nacionalismo e esperança. É uma peça que nos diz que é possível SIM mudar, é possível SIM melhorar este país apesar da completa apatia da maioria de seus cidadãos.
A outra peça teatral que conferi no fim de semana, Banquete da Vida, trata de um trecho bíblico adaptado para os dias atuais. Segundo a sinopse do meu amigo-ator: “É a história de uma comunidade em uma favela, que tem seus problemas com políticos e bandidos e um líder comunitário (uma alusão a Jesus) que tenta deixar as pessoas com a cabeça no lugar”.
Fui atraído mais pela atração do meu colega da faculdade e figurante do que pelo enredo, contudo a temática foi uma grata surpresa. Novamente a representação da pobreza, violência e o contra-peso da esperança. Ao longo da peça nos deparamos com algumas situações que nos levam á reflexão. A peça alterna ”opiniões” de um modo positivo-negativo, cara-coroa onde se por um lado podemos construir por outro podemos destruir. Passa por fama, poder e o preço a pagar. Consumismo, tráfico, corrupção e morte. Ainda assim fica o recado final positivo.
Se por um lado temos a esperança de um país melhor pelo qual podemos e devemos batalhar, por outro presenciei um evento enfadonho, bizarro, na semana que passou e que contarei resumidamente para não me alongar. Em uma das aulas o professor explicava a matéria enquanto os alunos conversavam o ignorando, até que uma pergunta do aluno provocou a indignação do professor, segundo o qual se sentiu “ofendido”. Inconformado o aluno começou a discutir durante a aula com o professor. Talvez sejam sinais de novos tempos onde alunos não respeitam e ridicularizam professores batendo boca no meio da aula em plena classe, mas no meu tempo e nas minhas convicções considero extrema falta de respeito e de educação. Para os que discordam achando que estou generalizando complemento que o restante da sala dava muita risada da situação, principalmente toda vez que o professor falava. Não coloco aqui uma experiência do jardim de infância, mas de uma aula na faculdade da chamada elite intelectual e financeira do país.
A falta de respeito e educação da elite (ou parte dela pra não ser injusto) justifica a desgraça dos atentados do PCC e da ridícula situação brasileira. As peças teatrais e as obras sociais representam a esperança do amanhã. Vamos acordar.
Ruy Hirano, 21, estudante de administração.
Coincidência ou não ambas as peças tinham muitas coisas em comum e acredito que talvez seja um retrato das mudanças pela qual passa a sociedade brasileira. Não pretendo contar maiores detalhes das peças teatrais para não estragar a surpresa daqueles que pretendem ir assistir, mas como é impossível ser imparcial e não fazer citações então recomendo ao leitor que vá assistir à(s) peça(s) e então volte a ler este texto para não estragar nenhum clímax. O que escrevo abaixo são detalhes que podem comprometer a satisfação com as peças.
A peça Acorda Brasil tem autoria de Antônio Ermírio de Moraes, terceiro texto do empresário, onde o tema é a educação. Vou utilizar a descrição que consta no guia do jornal:
“Um jovem violinista aspirante dá aulas em uma escola pobre da cidade e enfrenta a resistência de uma diretora desiludida, além da desconfiança de alguns alunos. A montagem conta com 18 adolescentes da comunidade de Heliópolis, bem como 65 músicos da Sinfônica Heliópolis”.
O elenco conta com um grande número de atores globais com muita experiência e talento, destaque que não passa em branco é a atuação de Arlete Salles. Não vou com freqüência ao teatro, acredito que menos de 4 vezes ao ano, mas esse foi sem dúvidas o que mais me emocionou, divertiu e me fez repensar na vida. Realidade e ficção se misturam no palco. A realidade brasileira retratada sem hipocrisia ou
(O que contarei neste parágrafo fará mais sentido para aqueles que assistiram à peça) Lá estava eu, único jovem com a mochila na costa e o velho moleton batido enquanto que a maioria do público é composta de casais de meia idade de situação financeira confortável e clube de velhinhas endinheiradas. Para ser sincero não me sentia muito à vontade, acredito que era o mais jovem naquele público, me sentia quase que no asilo dos meus avós, acreditando que o tema era educação esperava que pessoas de todas as idades fossem se interessar. Quando a peça tem inicio todos esses detalhes ficam de lado, todos riem e todos se emocionam juntos, independente de idade, classe, vestimentas ou sexo. Conto isso, pois a peça gira em torno da música e nela não importa quem toca, mas sim o talento do músico. Quando as pessoas estão em uma sinfônica ou uma banda tocar música é o que importa e não outras características. Atualmente muitos músicos da USP (jovens privilegiados no mínimo da classe média) disputam por uma vaga no Instituto Baccarelli localizado na favela de Heliópolis, acredito que isso mostra que podemos superar a barreira social que temos atualmente na sociedade. Finalizada a peça pego o elevador “coração de mãe”, sempre cabe mais um, espremido entre as velhas impressionadas como eu com a peça entram nos últimos espaços que sobram no elevador dois músicos de Heliópolis. Muitos elogios e admiração. Aquela situação me marcou profundamente, em qualquer outra situação velhas endinheiradas em um elevador com dois garotos negros e pobres seria caracterizado como seqüestro ou assalto, além daqueles olhares de desdém e rejeição que deixando a hipocrisia de lado todos sabemos que acontece. Quem diria que veria nesta vida as velhas de Higienópolis e Jardins rasgando elogios aos favelados.
Resumidamente Acorda Brasil é uma verdadeira injeção de fé, nacionalismo e esperança. É uma peça que nos diz que é possível SIM mudar, é possível SIM melhorar este país apesar da completa apatia da maioria de seus cidadãos.
A outra peça teatral que conferi no fim de semana, Banquete da Vida, trata de um trecho bíblico adaptado para os dias atuais. Segundo a sinopse do meu amigo-ator: “É a história de uma comunidade em uma favela, que tem seus problemas com políticos e bandidos e um líder comunitário (uma alusão a Jesus) que tenta deixar as pessoas com a cabeça no lugar”.
Fui atraído mais pela atração do meu colega da faculdade e figurante do que pelo enredo, contudo a temática foi uma grata surpresa. Novamente a representação da pobreza, violência e o contra-peso da esperança. Ao longo da peça nos deparamos com algumas situações que nos levam á reflexão. A peça alterna ”opiniões” de um modo positivo-negativo, cara-coroa onde se por um lado podemos construir por outro podemos destruir. Passa por fama, poder e o preço a pagar. Consumismo, tráfico, corrupção e morte. Ainda assim fica o recado final positivo.
Se por um lado temos a esperança de um país melhor pelo qual podemos e devemos batalhar, por outro presenciei um evento enfadonho, bizarro, na semana que passou e que contarei resumidamente para não me alongar. Em uma das aulas o professor explicava a matéria enquanto os alunos conversavam o ignorando, até que uma pergunta do aluno provocou a indignação do professor, segundo o qual se sentiu “ofendido”. Inconformado o aluno começou a discutir durante a aula com o professor. Talvez sejam sinais de novos tempos onde alunos não respeitam e ridicularizam professores batendo boca no meio da aula em plena classe, mas no meu tempo e nas minhas convicções considero extrema falta de respeito e de educação. Para os que discordam achando que estou generalizando complemento que o restante da sala dava muita risada da situação, principalmente toda vez que o professor falava. Não coloco aqui uma experiência do jardim de infância, mas de uma aula na faculdade da chamada elite intelectual e financeira do país.
A falta de respeito e educação da elite (ou parte dela pra não ser injusto) justifica a desgraça dos atentados do PCC e da ridícula situação brasileira. As peças teatrais e as obras sociais representam a esperança do amanhã. Vamos acordar.
Ruy Hirano, 21, estudante de administração.
CULTURA DO DESESPERO
LUIZ ALBERTO MENDES, 54, é autor de "Memórias de um Sobrevivente" e passou 31 anos preso
HÁ CERCA DE 25 anos, o sistema prisional do Estado de São Paulo estava bastante bem aparelhado. A sociedade se importava com o homem aprisionado. Prisão era terrível e o preso respeitado pela dureza de sua condição existencial.
A Penitenciária do Estado possuía um hospital que realizava até pequenas cirurgias. Os médicos eram os melhores possíveis: dr. Atílio, o oftalmologista, possuía consultório na região dos Jardins. Dr. Paulo Sérgio, ortopedista, era médico do São Paulo Futebol Clube. Havia o Senai, com cerca de 30 cursos cujos certificados eram respeitados em todo o país. O setor de educação, além de alfabetizar (e era obrigatório pelo menos o primário) propunha cursos de desenhos, inglês, escriturário, arquivista, outros cursos.
Na minha última passagem pela Penitenciária do Estado, há cinco anos, o hospital tornara-se local de trânsito para presos de outras prisões. O convênio com o Senai foi extinto em 1987, por conta de uma rebelião. As favelas, os cortiços aumentaram assustadoramente. São Paulo transformou-se numa megalópole. A pobreza foi multiplicada e transformou-se em miséria na proporção em que o desemprego e a população cresceram muito acima do previsto. Por conseqüência, a violência desenvolveu-se, a brutalidade progrediu.
Então, a população carcerária, essa ponta do iceberg, como queria Marx, começou a aumentar desproporcionalmente. As verbas para sustentar essa explosão demográfica prisional continuou a mesma. O sistema entrou em crise e começou a ser sucateado. A superpopulação das prisões chegou a absurdos que todos nós vimos nas reportagens de lá a esta parte. O colapso se estabeleceu e o preso foi abandonado nas mãos dos diretores e dos guardas de prisão. Estes, despreparados, implantaram a lei do cano de ferro (espancamento com cano de ferro), a política da cela forte e do isolamento em prisões cada vez mais duras. Violência em cima de violência.
O ser humano faz cultura onde estiver, é de sua natureza. Abandonado a si mesmo e vindo diretamente do ato criminoso, este homem preso só pode fazer a cultura do crime. Não conhece outra. A cultura da união para se defender da opressão. Está preso, mas continua humano, e lutar pela sobrevivência faz parte da condição humana. Nada diferente lhes foi oferecido. Foi enterrado vivo, em pé e abandonado.
A sociedade fez como quem joga uma bomba para cima e espera que ela crie asas e saia voando para o infinito. Enquanto o preso estava atrás das muralhas de grades, pouco lhes importa a condição. Se comprimido, oprimido, espancado, ou estupidificado, não era interessante saber. Importava mantê-lo distante da possibilidade de atacar, ou seja, atrás das grades.Mas veja: surpresa! A bomba não voa. Começa a cair e detonar toda a nitroglicerina acumulada em décadas de abandono. O abandono, o isolamento social e físico, geraram tudo isso que se vê nestes dias de terror em São Paulo. Somos todos responsáveis por tudo o que está acontecendo.
Este não é um problema somente de Estado ou de polícia, é de toda a sociedade a se repensar e tomar atitudes menos demagógicas e absurdas. Por exemplo: a maioria das pessoas pensa que ao sair da prisão (como nos enlatados americanos), o egresso recebe um lugar para dormir, trabalho e ainda o mantêm sob vigilância. Isso não existe. No máximo, recebe um bilhete para São Paulo e um pé na bunda: se vira!
Se não tiver família, amigos, retornará à prisão (o índice de reincidência é 65%) ou vira mendigo, esta gente apagada socialmente nas praças da cidade. Muitos dos que habitam os albergues noturnos são ex-presidiários que não conseguiram a reintegração social.
Existe os que não sabem, e a esses é possível esclarecer. Mas o pior são os que não querem saber, terão de ser esclarecidos.
domingo, maio 14, 2006
O ASTRONAUTA E O BRASIL
Algumas semanas atrás o astronauta Marcos César Pontes entrou para a história do Brasil como o primeiro brasileiro a ir para o espaço. Depois de anos de treinamento em Houston nos Estados Unidos, o brasileiro esperava em uma fila na qual provavelmente nunca iria para o espaço embora a participação do Brasil na Estação Espacial Internacional permita realizar experimentos e até mesmo enviar um astronauta. Pagando 10 milhões de dólares aos russos o governo brasileiro “furou” a fila e conseguiu enviar seu astronauta.
Desde criança tenho uma atração pelo espaço, talvez seja aquele sonho de infância de querer ser astronauta, poder ficar flutuando na ausência da gravidade. Sendo assim acompanho na medida do possível as notícias relacionadas ao tema, alguns detalhes do programa espacial norte americano que é o mais desenvolvido e aberto para as pessoas. Minha visão sobre a ida do brasileiro para o espaço é de total apoio, não somente pelo feito na área espacial brasileira, mas por toda a história envolvida.
Marcos Cesar Pontes natural de Bauru (interior de São Paulo) começou como aprendiz de eletricista por um curso no Senai. Sempre estudou em escola pública. Nas visitas ao Aeroclube de Bauru e à AFA (Academia da Força Aérea), onde o tio fazia manutenção de aeronaves, pegou gosto pela aviação. Acabou se formando em engenharia pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Em 1996 se inscreveu no processo de seleção para astronauta e foi escolhido. Mudou para Houston onde treinou no Centro Espacial Johnson até 2000 quando foi declarado apto para vôo espacial, mas enquanto seus colegas de turma eram escalados para vôos espaciais Marcos Ponte aguardava na fila. Fatores burocráticos começaram a surgir. O governo brasileiro se indispôs a pagar sua parte na construção da Estação Espacial Internacional orçado em pouco menos de 200 milhões de dólares. Para piorar, em 1º de fevereiro de 2003, o ônibus espacial americano Columbia explodiu no retorno à Terra, matando sete astronautas. Assim o programa espacial norte americano com os ônibus espaciais foi paralisado bem como a fila para o astronauta brasileiro. Todas inclusive Pontes achavam que o Brasil teria o astronauta que não voou.
Enquanto Marcos Pontes estava no espaço nada demais ocorria por aqui. Mensalistas sendo absolvidos, deputada Angela Guadagnin dançando no plenário, orçamento de 2006 não aprovado em pleno mês de abril, presidente Lula viajando na maionese. Tudo dentro da normalidade. Adotei a tese de que o Brasil parou no tempo. Alguns aspectos são os mesmos desde que Cabral chegou aqui. Vide desigualdade, saúde e educação. Na conversa com Marcos Pontes direto da Estação Espacial Internacional o presidente Lula fazia mais um de seus discursos onde nem mesmo ele sabe do que se trata, enquanto isso o vice Alencar, sentado ao seu lado, parecia estar em outra dimensão ou perdido no espaço de tanto tédio que suas expressões demonstravam.
Logo após o pouso em terra firme de volta da grande viajem Marcos Pontes declarou: “Com persistência se chega aonde se quer”. Muitas entrevistas, fotos com o presidente, passeata com caminhão dos bombeiros, mas nem chega perto de uma comemoração futebolística.
Na minha visão a ida do astronauta Marcos Pontes ao espaço foi uma oportunidade única de exaltação da vitória e do sucesso com trabalho e dedicação. Em tempos de mensalão, imunidade parlamentar e empresários inescrupulosos que conseguem fazer suas esposas gastarem uma montanha de dinheiro em lingeries na daslu, Marcos Pontes mostra que todos podem independente de suas limitações realizar os sonhos de vida, não precisando se beneficiar dos “Valério-dutos” da vida.
Infelizmente para muitos Marcos Pontes foi passear no espaço em benefício próprio com o dinheiro do contribuinte. Para alguns membros da comunidade científica o dinheiro seria melhor empregado de outras maneiras como o financiamento de bolsas de estudos para pós-graduação de cientistas. Sem dúvida que investir na especialização e estudos como o financiamento de mestrado e doutorado no exterior é um bom investimento para o desenvolvimento do Brasil, contudo “estranhamente” muitos desses cientistas e bolsistas financiados que vão estudar no exterior acabam não voltando. Só para dar uma amostra recentemente um jornal fez uma pesquisa dos cientistas brasileiros mais promissores, isto é, menos de 35 anos de idade e reconhecidos internacionalmente. Dos cinco citados três estão nos Estados Unidos, um trabalha na Cia. Vale do Rio Doce, mas prestou serviços para a Nasa e o outro está ligado à USP. O financiamento à pós representa em si no Brasil financiar um privilegiado. Partindo para a hipocrisia então deveríamos empregar os 10 milhões de dólares para erradicar o analfabetismo neste país.
É possível discutir infinitamente se o dinheiro dispendido foi bem gasto ou não. Mas acho indiscutível que Marcos Pontes cumpriu com seu papel, exaltando o nacionalismo e o sucesso em um país tão carente de bons exemplos. Basta ligar a televisão ou abrir os jornais para descobrirmos. Quantos ministros caíram por meras denúncias? Quantos deputados acusados? Quantos empresários envolvidos em esquemas ilícitos? Se Pontes conseguiu atingir a milhões de crianças e mesmo que somente uma entre elas se transformar em um “Bill Gates” oferecendo milhares de empregos de elevado valor já não terá valido a pena? E se desses milhões mais da metade crescerem sabendo que podem ir longe, podem sonhar? Que podem mudar o bairro, a cidade, o país?
Não acredito que dez milhões podem transformar um país, mas se não pensarmos no futuro estaremos eternamente perpetuando o status quo que se mostra falido, mesmo que para isso seja preciso enviar um brasileiro para o espaço a cada 506 anos.
Desde criança tenho uma atração pelo espaço, talvez seja aquele sonho de infância de querer ser astronauta, poder ficar flutuando na ausência da gravidade. Sendo assim acompanho na medida do possível as notícias relacionadas ao tema, alguns detalhes do programa espacial norte americano que é o mais desenvolvido e aberto para as pessoas. Minha visão sobre a ida do brasileiro para o espaço é de total apoio, não somente pelo feito na área espacial brasileira, mas por toda a história envolvida.
Marcos Cesar Pontes natural de Bauru (interior de São Paulo) começou como aprendiz de eletricista por um curso no Senai. Sempre estudou em escola pública. Nas visitas ao Aeroclube de Bauru e à AFA (Academia da Força Aérea), onde o tio fazia manutenção de aeronaves, pegou gosto pela aviação. Acabou se formando em engenharia pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Em 1996 se inscreveu no processo de seleção para astronauta e foi escolhido. Mudou para Houston onde treinou no Centro Espacial Johnson até 2000 quando foi declarado apto para vôo espacial, mas enquanto seus colegas de turma eram escalados para vôos espaciais Marcos Ponte aguardava na fila. Fatores burocráticos começaram a surgir. O governo brasileiro se indispôs a pagar sua parte na construção da Estação Espacial Internacional orçado em pouco menos de 200 milhões de dólares. Para piorar, em 1º de fevereiro de 2003, o ônibus espacial americano Columbia explodiu no retorno à Terra, matando sete astronautas. Assim o programa espacial norte americano com os ônibus espaciais foi paralisado bem como a fila para o astronauta brasileiro. Todas inclusive Pontes achavam que o Brasil teria o astronauta que não voou.
Enquanto Marcos Pontes estava no espaço nada demais ocorria por aqui. Mensalistas sendo absolvidos, deputada Angela Guadagnin dançando no plenário, orçamento de 2006 não aprovado em pleno mês de abril, presidente Lula viajando na maionese. Tudo dentro da normalidade. Adotei a tese de que o Brasil parou no tempo. Alguns aspectos são os mesmos desde que Cabral chegou aqui. Vide desigualdade, saúde e educação. Na conversa com Marcos Pontes direto da Estação Espacial Internacional o presidente Lula fazia mais um de seus discursos onde nem mesmo ele sabe do que se trata, enquanto isso o vice Alencar, sentado ao seu lado, parecia estar em outra dimensão ou perdido no espaço de tanto tédio que suas expressões demonstravam.
Logo após o pouso em terra firme de volta da grande viajem Marcos Pontes declarou: “Com persistência se chega aonde se quer”. Muitas entrevistas, fotos com o presidente, passeata com caminhão dos bombeiros, mas nem chega perto de uma comemoração futebolística.
Na minha visão a ida do astronauta Marcos Pontes ao espaço foi uma oportunidade única de exaltação da vitória e do sucesso com trabalho e dedicação. Em tempos de mensalão, imunidade parlamentar e empresários inescrupulosos que conseguem fazer suas esposas gastarem uma montanha de dinheiro em lingeries na daslu, Marcos Pontes mostra que todos podem independente de suas limitações realizar os sonhos de vida, não precisando se beneficiar dos “Valério-dutos” da vida.
Infelizmente para muitos Marcos Pontes foi passear no espaço em benefício próprio com o dinheiro do contribuinte. Para alguns membros da comunidade científica o dinheiro seria melhor empregado de outras maneiras como o financiamento de bolsas de estudos para pós-graduação de cientistas. Sem dúvida que investir na especialização e estudos como o financiamento de mestrado e doutorado no exterior é um bom investimento para o desenvolvimento do Brasil, contudo “estranhamente” muitos desses cientistas e bolsistas financiados que vão estudar no exterior acabam não voltando. Só para dar uma amostra recentemente um jornal fez uma pesquisa dos cientistas brasileiros mais promissores, isto é, menos de 35 anos de idade e reconhecidos internacionalmente. Dos cinco citados três estão nos Estados Unidos, um trabalha na Cia. Vale do Rio Doce, mas prestou serviços para a Nasa e o outro está ligado à USP. O financiamento à pós representa em si no Brasil financiar um privilegiado. Partindo para a hipocrisia então deveríamos empregar os 10 milhões de dólares para erradicar o analfabetismo neste país.
É possível discutir infinitamente se o dinheiro dispendido foi bem gasto ou não. Mas acho indiscutível que Marcos Pontes cumpriu com seu papel, exaltando o nacionalismo e o sucesso em um país tão carente de bons exemplos. Basta ligar a televisão ou abrir os jornais para descobrirmos. Quantos ministros caíram por meras denúncias? Quantos deputados acusados? Quantos empresários envolvidos em esquemas ilícitos? Se Pontes conseguiu atingir a milhões de crianças e mesmo que somente uma entre elas se transformar em um “Bill Gates” oferecendo milhares de empregos de elevado valor já não terá valido a pena? E se desses milhões mais da metade crescerem sabendo que podem ir longe, podem sonhar? Que podem mudar o bairro, a cidade, o país?
Não acredito que dez milhões podem transformar um país, mas se não pensarmos no futuro estaremos eternamente perpetuando o status quo que se mostra falido, mesmo que para isso seja preciso enviar um brasileiro para o espaço a cada 506 anos.
Ruy Hirano, 21, estudante de administração.
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